Você tem Condromalácea e quer fazer Pilates?

Você tem Condromalácea e quer fazer Pilates? Tome cuidado com algumas posições.

Por Milena Dutra

O joelho é a maior articulação do corpo e se constitui de um “órgão” frequente de lesões, fato esse justificado por sua complexa anatomia e vulnerabilidade, diferente por exemplo, da articulação do quadril que é protegida por grandes músculos com potente estabilidade pelo contorno ósseo e ligamentar (figura 1)

A articulação do joelho é uma caixinha de surpresas, apesar de apresentar uma boa congruência óssea dado pelo contato entre os côndilos femorais e o platô tibial, sua segunda articulação denominada femoro-patelar, muitas vezes não se apresenta em perfeita congruência em posicionamento patelar com o sulco intercondilar. Este desequilíbrio da patela na tróclea do fêmur implica em uma lateralização da mesma, com suceptibilidade de subluxações deste segmento. Este fato em conjunto com outras alterações desencadeia a famosa síndrome da dor femoro-patelar ou também conhecida  condromalácea.

Diversas são as queixas que levam as pessoas a procurar assistência ortopédica em casos de condromalácia patelar: dor na face anterior do joelho, que se acentua na flexão, subir e descer escadas, por exemplo, edema regional e limitações de função. Grandes centros ortopédicos indicam o reforço muscular para nestes casos, e o Pilates é um grande aliado para melhora desta doença.

É importante lembrar que a condromalácia patelar é caracterizada por uma inflamação e amolecimento da cartilagem retro patelar que progride para o desgaste na cartilagem de trás da patela, provocando um contato ósseo subcontral com o osso do fêmur, avançando-se em graus de osteoartrite (figura 2).

A doença pode manifestar-se em qualquer pessoa, mas é oito vezes mais comum nas mulheres devido à predisposição física, um quadril mais largo, que potencializa uma obliquidade femoral, o fêmur roda lateralmente, provocando a lateralização da tíbia e uma compensação medial da patela, porém, também ocorre em uma grande incidência em homens atletas que realizam grandes esforços com relação às pernas, classificados como joelho do corredor ou joelho do saltador (MONNERAT et al., 2010). Além da obliquidade femoral, a insuficiência do vasto medial oblíquo (VMO) e frouxidão do ligamanto patelo femoral potencializa a lateralização da patela com relação ao fêmur.

Através dos exercícios físicos principalmente de alongamento de cadeia posterior e lateral do joelho concomitante a fortalecimento anterior irão readaptar o posicionamento articular em desequilíbrio. É claro que exercícios em cadeia cinética aberta (CCA) pela especificidade do movimento já está sendo evidenciados na literatura como atenuadores do quadro álgico local nesta patologia, mostrado pela ACTA ORTOP BRAS 16(3:180-185, 2008).

A cadeia cinética fechada (CCF) por sua vez no Pilates, deverá ser reajustada e adaptada, em posicionamento e angulação articular. Antes de discutir estes aspectos observe e trace seus objetivos e condutas:

Objetivos e condutas

Avaliar e trabalhar contra o padrão de deformidade da obliqüidade femoral exagerada para atenuar o valgo comum em joelho

Centralizar a patela na tróclea, através do fortalecimento do VMO

Atenuar a compressão da patela em relação ao fêmur, através do alongamento de Ísquios tibiais e musculatura laretal de coxa

Promover estabilidade articular, pelos exercícios de fortalecimento em CCA e CCF

Nem sempre quem tem condromalácea apresenta valgo de joelho (figura 3), mas a maioria das pessoas com o problema demonstram uma obliquidade femoral acentuada. Para isso é necessário realizar um treino de força para região convexa da deformidade (meio de coxa) e enfocar alongamento lateral da perna. Mas não é só isso, o caso é mais complicado do que parece.

Obs: em um futuro post discutiremos melhor como prescrever exercícios para joelho valgo, pois a complexidade é tamanha que demandaria uma matéria específica para tal. Trabalhar contra o padrão de deformidade não é somente o necessário. Aguarde,!!!

A contração isométrica dos adutores do quadril realizados simultaneamente à extensão do joelho e rotação externa do quadril facilita a contração do VMO (BOSE et al., 1980; McCONNELL, 1984; HANTEN & SCHULTHIES, 1990; MONTEIRO-PEDRO et al., 1999). Este fato pode ser evidenciado pelos exercícios de Kick Side em concomitante ativação de adutores (figura 4), em correlato com Double leg lift Or Both legs together (fifura 5).

Puzatto, et. al, em ACTA ORTOP BRAS 13 (14), 2005 corrobora com este fato e enfatiza a flexão do joelho para trás, em angulações de 45 graus em CCF.

O mesmo em face anterior é enfatizado por Kisner (2005), onde o autor afirma que a realização da extensão de joelho em CCA nos últimos 30 graus enfatiza VMO (figura 5).

Assim como angulações entre 45 e 65 graus de flexão em CCF em agachamentos por exemplos são seguras e não causam tamanha compressão da patela do fêmur (figuras 6).

Não esqueça de alongar porteriores de coxa para diminuir a compressão da patela no fêmur e conjunto com a lateral, para enfocar a tração do retináculo ligamentar lateral, que na condromalácea encontra-se encurtado.

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O mais importante é lembrar que a flexão de joelho é a vilã, quando maior a flexão acontecer maior será a compressão. Observe diariamente a posição articular do joelho do seu aluno e siga as dicas acima.

Até um próximo momento, em aula ou através do Blog.

Abraços

Professora Ft. Msd. Milena Dutra

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